MARCOS CAiADO antologiapoética


Terça-feira, Março 10, 2009





nada a declarar.
a não ser que estou cansado e sem escudos.
que depois que você foi embora, os deuses ficaram mudos.
que as borboletas voaram pra outros mundos
e eu fiquei só.
só eu e os meus cadernos,
à mercê dos mais profundos invernos...

nada a declarar!
a não ser que eu estou cansado e sem horizontes.
que depois da sua partida,
os amigos se debandaram aos montes
dizendo o quanto fiquei chato e intragável.
e quando até o automóvel se nega a dar partida,
repito comigo mesmo: coisas da vida... vai passar!
a droga, é que nunca passa.
o foda, é que tudo perdeu a graça
(vale acrescentar!).

vale acrescentar que
cada vez que bato à porta da alegria,
ela grita de longe: passa outro dia!
tá tudo muito escuro.
sequer o futuro acredita num claro despertar
...
ficamos então combinados:
vou dormir com mais este maço de desagravos
e se por acaso acordar do meio deste pesadelo,
peço desculpas a ele.
viro de lado e digo: coisas da vida, amigo...
pode continuar!











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a saudade será sempre
uma sombra
à sombra deste calendário avesso:

perdi o número do teu telefone
e deus,
deus esqueceu meu endereço.










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colhi a lua
e a luz da lua
na flor
que me deste.

plantei um poema
onde havia a lua,
e a luz da lua,
pelo o amor que persiste.

mas tu foste
embora,
deixando a metáfora
no escuro.

hoje, a flor
morre triste...
e o poema
anoitece incompleto.







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era abril 9, ou maio à tarde, na cidade
de nova-iorque?!

tu me ninavas entre goyas, gorros e
braques...
eu, por fazer, o bigode.

uma nota de chuva fina,
(me & carina),
dividia os céus, pós-théos,
com alguma bailarina
de degas;

enquanto armando, harlem nos pignos,
contava de gauguin, ca-olhando
basquiat...

ah, manhatã!... saberias que
tardes amanhecem em tua direção?!

que retas expressionistas
alinhavam o meu par-
tido coração?









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joana boba,
joana boa,
joana sempre badulaqueira...

joana guarda de tudo:
braço de boneca quebrada
maço de cigarro vazio

brinco de um pé só
e anel de pedra nenhuma:
coisas sem sentido!

guarda papel de bombom dourado
por qual de nós comido?

eita joana boba!
eita joana louca!

- terá meu coração
aprendido contigo?















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Quinta-feira, Março 05, 2009





sem maiores pretextos,
sem virar-me
do avesso,
ja posso ouví-las todas:
fim e começo.
não trazem mais seqüelas
as nossas músicas:
"aquelas".

se paguei pelas saudades
um alto preço,
ou se sofri sedento
por teus rebites,
thats the past:
estamos quites!

do tudo que fomos nós
restam eu e mais eu,
apenas.
esquecido dos breus,
volto a ser a ave plena:
vôo solo
isento de penas.











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você me dá ta-qui-car-dia,
dor-de-barriga,
tremedeira.
traz coceira à pele do desejo:
parece urtiga!
.......................
a sua presença
tem o gosto desse pão-de-queijo
que o desgraçado do vizinho faz

e não convida!










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Terça-feira, Março 03, 2009





tudo noite escura e eterna:
nada brilha.
tudo lanterna
sem pilha.

ilha deserta
longe de afeto e canto.
sem onde
ou rota.

nenhuma prata
nenhum pirata
nenhum navio
aporta.

tudo negro e sem ar:
mar
quebrado
em si mesmo.








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1,2,3




contigo
consigo







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lux


meu sonho
teu banho









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Segunda-feira, Março 02, 2009



água pura;
sagrado vinho...

tuas salivas
adivinho.










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é desconcertante
ver-te agora
como sol-poente.

tu que foste
tão brilhante:
aliança e

dia-amante.















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