MARCOS CAiADO antologiapoética


Quarta-feira, Fevereiro 18, 2009





a toda hora
a todo instante
onde quer que eu esteja:
nos correios, em transe
ou na roda-gigante
me vem de repente
o seu semblante.

entre um pensamento
e outro
como uma onda do havaí
erguendo-se
no meu mar-morto.

a toda hora,
a todo instante
onde quer que eu esteja:
em alfa-centauro, no horto
ou na igreja
você é tudo, tudo
que a minha alma deseja.

no bar dos artistas
na praia dos ingleses
na rua da lama
ou no alto da glória
eis você:
o sal da memória.

a toda hora
a todo instante
você pra sempre
rimã do meu sempre.
até mesmo no espelho,
entre a escova

e a pasta de dente.












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já não tem mais importância
se você está perto




a um metro
















ou kilômetros de distância.

















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vem,
que eu vou gozar
o gozo
mais febril.
vou reinventar
a aquarela
do brasil
num mapa-múndi
que ninguém
nunca viu.

vem,
que rosas
vão se abrir
na palma da minha
mão
quando eu tocar
o seu
quadril.

refaz as contas
desse estado
de coisas
sem beleza.
toca comigo
as luas
da generosidade
e suas sedas.

vem,
estende
seu estandarte
sobre
o corpo
meu

e afasta
as sombras
de mais um deus
que morreu.











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Terça-feira, Fevereiro 17, 2009




viva o orixá, viva o boi-bumbá, viva são cosme
e damião
viva o milagre presente na eletricidade, na ciência
e no aperto de mão
viva a diversidade, o inconsciente coletivo, viva o respeito ao deus vivo
de cada religião
viva nietzsche, viva a cor do azeviche, viva a relatividade em se olhar o horizonte
viva a obra de arte, viva a divindade latente em tudo que faz parte
da ilusão universal
viva bem, viva também (e muito bem!) o prazer sexual
viva o estado laico, viva o eco da pluralidade, viva a universidade e o exercício
da constituição
viva a tolerância, viva a sabedoria, viva a luz que clareia o dia
e dá alma à televisão
viva o mundo de um modo misto, viva o amor de jesus cristo
e viva a compreensão!












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Sexta-feira, Fevereiro 13, 2009




eu,
o preto e branco
no cinema

você,
a tecnologia
da vida é bela.

eu,
ruídos de rádio
sem antena

você,
gisele bündchen
na passarela.

eu,
pessoa, rosa
e bandeira

você,
paulo coelho
na prateleira.


e a lua alinha:
- tudo besteira!




eu,
a meta-
fora da lei

você,
bijus &
hair spray

eu,
o fio
do bigode

você,
o carla perez
no pagode.

comigo
ninguém
pode

contigo
é nome
de revista.


e a lua
alinha...



eu,
coqueiro
de itapuã

você
fla-flu
no maracanâ.

eu,
a culpa
do judeu

você,
o pecado
nem nasceu.


e a lua
ali...



eu,
não vivo
sem você

você,
vitamina c
e cama.

eu,
este poema
sem fim

você
longe
de mim.


e a lua...



cadê
a lua?!








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Quarta-feira, Fevereiro 11, 2009

crônica
do
amor
louco:





fomos
des-
feitos
um

pelo
outro.















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