MARCOS CAiADO antologiapoética |
Segunda-feira, Novembro 17, 2008
Comments: Comments: te amo além do que devo do que atrevo ou posso. sonho e pesadelo: te amo em paradoxo. te amo e te não amo alheio ao amor que sinto: highway ou labirinto? - te amo e te minto! Comments: saudade do nosso ideograma saudade da nossa história e da felicidade de quem é amado e ama saudade do adesivo fosforescente do pato grudado na porta branca do nosso quarto. saudades dos teus beijos, dos teus becos, dos teus braços, do hábito do teu hálito e da lua na tua tatuagem. - deus, é saudade pra horizonte e meio! saudade estribo, barrigueira, rédea, pelego, cabresto e arreio. saudade pra burro! saudade sem freio. água branda de correnteza e lambari, saudade parente transparente pra lá e praquí... saudade imensa, dessas que não pára. ganha praça, cidade, rodoviária e não pensa: só viaja! saudade passarinho sem ninho, saudade borboleta bêbada. (nunca saudade naja!) e nem adianta fechar cancela ou querer sair da frente. a saudade que atropela sabe sempre onde mora a gente. Comments: a mesma coisa não é mesma coisa nunca a mesma coisa de repente trinca aí a coisa mesma fica de novo branca ainda que suja de tinta. Comments: este poema não é um poema. este poema é um pano de prato pronto pra ser bordado em ponto- cruz e ponto final. este poema não é um poema: é o trejeito - insatisfeito - de um canto mero; pranto sussurrado no limbo. este poema não é um poema: é um cachimbo. Comments: Segunda-feira, Novembro 03, 2008
às vezes você some e fico eu só, neste ímpeto de querer rumar a cabeça num paralelepípedo. amor não tem que ser suicídio, dá meia-volta e volta. volta ao início. quando você desaparece, até o travesseiro vira precipício. Comments: resto eu, agora, vazio de prumo e de colo. descolorindo lençóis no underground. eu estou na u.t.i. com a cabeça a prêmio e cada vez que você vem me visitar, baby!, é para desligar o balão de oxigênio. Comments: talvez em janeiro eu ganhe muito dinheiro e em fevereiro tenha gasto ele inteiro. talvez em março eu roube um barco e aporte em abril na puta que o pariu... talvez em maio eu saia de soslaio e traga em junho uma arma em punho. talvez em julho eu te jure de morte e em agosto fique ao gosto da sorte. talvez em setembro eu diga que nem me lembro e em outubro te redescubro. talvez em novembro peça eu ao tempo que ressuscite o nosso eterno dezembro... talvez janeiro, seja dezembro o ano inteiro... Comments: Domingo, Novembro 02, 2008
por onde andará bete? estará em nova iorque tomando remédios para insônia? ou seguindo os passos de darwin pelas geleiras da patagônia? bete nunca mais ligou. por onde andará? bete está rasgando um ecstasy pelos becos da cidade de goiás. bete está no caminho de santiago atrás de um anjo qualquer que fugiu dos meus quintais... bete nunca mais ligou. bete nunca mais. por onde andará bete? além de aqui, nos corredores desta solidão que me rói? bete está no rio, mais precisamente, no recreio dos bandeirantes, ouvindo um rock do hanói hanói ... bete nunca mais ligou. bete nunca mais. por onde andará bete? estará numa sala de bate-papo, comendo alguém via internet? ou lavando o chão de uma kitinete no centro de berlim? bete, bete, bete... enquanto me embriago desta saudade diet e fico a compor versos assim. Comments: era o fim do fio da linha. era enfim, o mais dolorido espinho ungido pelas mãos de um anjo ruim: - a vida sozinha outra vez. era a amargura do inverno, e seus indeléveis reveses, despetalando silêncios. salmoura de desertos sobre tão ternos afetos, (o inverso de deus em uma lua doente). era a madrugada a desabençoar, de todo, o sempre agosto. e o vento maldito da saudade colhendo sombras em meu dorso. Comments: esquece tudo o que eu disse frases, juras, promessas. : foi!... era tudo sandice! esquece meu endereço, a data daquele ingresso e todo gosto do meu beiço. esquece.esquece.esquece. já que este amor moderno pretere laços e acabamento, cumprido está o seu papel. gasta a reza em outro templo, mesmo deus muda de céu. iça a vela... salve o vento! esquece! Comments:
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