MARCOS CAiADO antologiapoética


Sábado, Setembro 27, 2008

que eu te ame
com a paciência e a destreza
de um velho oriental
a compor seu origami.

que eu te ame
pacífico e pleno
como o caminhar de
um índio ianomâmi.

que eu te ame
como poeta homem
que mais prefere ser pessoa
do que sobrenome.








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Quinta-feira, Setembro 25, 2008




o que você procura
não está em cingapura.
pra você não há ninguém,
ninguém, em jerusalem:
- eu estou aqui!

não adianta se iludir
com os passos de uma balalaica
ou achar que o amor floresce
sob o sol da jamaica:
- eu estou aqui!
não. não adianta não,
tomar um transatlântico
do japão para cuba
ou querer fazer uma suruba
com a geografia da terra:

- o cupido
quando mira
ele não erra!

eu estou aqui!
não sei se poodle ou pit-bull,
só sei que o amor que guardo
está escrito nas estrelas
do cruzeiro do sul.









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Segunda-feira, Setembro 22, 2008



cartas de amor
só envio

aos cuidados
de godot.










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trago a sina do peixe
nascido pra beber o rio







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dorme a casa
dorme a crase
dorme a asa da borboleta.

numa metamorfose
tão exata
dorme a letra ilegível.

dorme a arroba e a rota,
o doze e a dúzia,
dorme o artigo indefinido.

dorme a água do aquário,
dorme o vaso sanitário,
e o vocabulário indizível.

dorme o fóssil, pra lá de antigo,
o agora e
o minuto além.

dorme aquiles, o mito,
e aqueles que muitos
chamam ninguém.

dorme alice e o lustre,
a tinta e a paleta
neste verso dormidouro.

dorme o infinito sem conceito -
um dormir tão perfeito
que parece até poesia!

dorme a canção,
dorme a liturgia
dorme a cor e a alegoria.

dorme aquela velha alegria
que triste se apega
e do paradoxo não larga.

dorme tudo;
desde o raso até o fundo:
como um defunto.

dorme o lodo na calçada,
a vaca atolada,
o outro lado da rua...

dorme a flor dilacerada
e, mesmo o medo,
dorme tranqüilo.

dorme isto, essa e aquilo:
toda grama e
centímetro

a libra,
o zêlo
e o gemido desmedido.

dorme o esquilo
na paisagem americana e
a lua no céu de araraquara.

dorme o vento,
o assentamento
e a arara

o sono dos justos,
dormem marte e
o deserto do saara.

apenas eu insisto
diuturnamente
acordado

visto ser
impossível dormir
sem você ao meu lado.








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Sexta-feira, Setembro 19, 2008






não.
não mais te amo.

não.
não tem mais como.

não!
eu não te como mais.



- morreu de sono
a espera.








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com este segue,
um buquê de flores mortas
e as chaves que fecham
todas as portas.


nossas tramas de amor
bagagem perdida;
não pedirei reembolso
nem à vasp, nem à vida.


a lua que líamos no lago
o boi bebeu.





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havia um teto,
um intento,
e um tanto de telhas de loiça
que partiram com o vento.

havia um lápis e uma criança
na varanda:
o anjo morto quase
balança a asa,
acende a lâmpada
de aladim.

houvera, também,
milhões de mim
ali, além
do tudo que passa:
vem, marcos, miremos o mundo
cheio de graça!

..................................

de repente,
o imaginário ficou mudo.
do nada, a via que havia
foi interditada.

de repente,
o céu deixou de ser estrada.
cala o rouxinol,
desponta a lua
quadrada.








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não há ninguém no jardim
não há luar, nem jasmins.
jardins não há também.

sumiram todos os ventos.
e os rabiscos da vida, e a taça do vinho.
não há caminho:

- tu, por onde vens?!







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Quarta-feira, Setembro 17, 2008







por fora,
trago o sabor
da amora;

por dentro,
uma saudade
que devora.

por fora,
comemoro
a vida;

por dentro,
sou veia cava
obstruída.

por fora,
um banquete
sobre a mesa;

por dentro,
essa dinamite
acesa.

morreu o cravo,
sonhando
a margarida.

pelo próprio espinho,
se viu a rosa,
ferida.

por fora,
a poesia move;

por dentro,
o verso suicida.








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seja amor
ou love

love
ou amor

tome antes
um engov

depois
um anador






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eu te amo
paralelepípedo,
inconstitucionalíssimamente

te amo igual a tanta gente
que mal sabe que ama
assim tão diferente

oma et ue
ed
sárt
arp
etnerf



de dentro pra fora
te amo e te reamo
de dentro pra frente

te amo ausente
presente
menos aqui e mais adiante

te amo olho no olho
te amo caolho
te amo sem olho


eu te amo miopia:
lua noiva de dia
(astigmatismo)

te amo budismo,
aula de catecismo
e muito além do que cismo

te amadoro pra sempre!
ou de repente só agora:
como quem mente.










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me encanta
afagar o nada pensando em ti
e depois florir que nem metáfora

me encanta o mantra breve do teu beijo:
tintilar de radinho, tique redemoinho
de ventilador quase sem ar...


me encanta perambular
entre a invenção da tua presença
e a reticência.








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a minha dor acaba aí
onde começa a sua boca

um beijo seu acende o céu
e muda a roupa do destino

eu sem você,
triste violino,

mesmo calado
desafino.









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