MARCOS CAiADO o samba que a saudade fez |
Quarta-feira, Fevereiro 03, 2010
eu sou a ovelha vesga e cega que mal sabe da cor que carrega. negra, negra mancha que desmancha a palavra e a escrita. eu sou a sífilis desaforada que te corrói aflita. criptonita criptonita criptonita. me alimento do lixo que ungiu o teu perdão. trago os teus 500 anos de culpa. eu sou a porra da porra desconhecida que algum bêbado vomita sobre o corpo da puta. me chupa me xinga me chuta (depois me jogue às lagartixas). se tu és a filosofia, eu trouxe a cicuta. Comments: Sexta-feira, Janeiro 29, 2010
pensei que fosse oceano era só um aquário. pensei que fosse paris eram os 20 watts de uma lâmpada no canto do cenário. pensei que fosse o pecado maior era o mea-culpa de um réu primário. pensei que fosse você mas era apenas o sol. Comments: Terça-feira, Janeiro 26, 2010
tarde morri naquele meio de tarde. alheio ao carnaval que corria. morri de beijo perdido. e nunca mais voltei... passo agora, horas a fio, tecendo grafias em queixumes de vento. morri sem avisar. enquanto vestia a minha fantasia de rendas em frente ao mar. a alguém fiquei devendo um lírio branco. não sei se pago. amanhã, mais uma vez, em nome de iemanjá, volto a ser este mesmo dia: mãos frias de indiferença e sopro breve de andorinha triste. morri enquanto morria. noite nada além da meia-noite demorada. aquela que chegou de mala e cuia na minha vida, sem pedir licença. a meia-noite de sempre. que já é amiga de infância, namorada e confidente fiel. presente eterno. olá, meia-noite! eu digo. e ela retruca: olá por quê? se nem fui embora ... não sai nem pra dar um espirro. meia-noite sem lua e cheia de birra: - ora, marcos, eu vim pra morar! Comments: Domingo, Janeiro 24, 2010
com este segue um buquê de flores mortas e as chaves que fecham todas as portas. nossas tramas de amor bagagem perdida. não pedirei reembolso nem à vasp nem à vida. a lua que líamos no lago, o boi bebeu. Comments: Quinta-feira, Janeiro 21, 2010
colhi a lua e a luz da lua na flor que me deste. plantei um poema onde havia a lua, e a luz da lua, pelo o amor que persiste. mas tu foste embora, deixando a metáfora no escuro. hoje, a flor morre triste... e a poesia anoitece incompleta. Comments: Terça-feira, Janeiro 19, 2010
talvez em janeiro eu ganhe muito dinheiro e em fevereiro já tenha gasto ele inteiro. talvez em março eu roube um barco e aporte em abril na puta que o pariu. talvez em maio eu saia de soslaio e traga em junho uma arma em punho. talvez em julho eu te jure de morte e em agosto fique ao gosto da sorte. talvez em setembro eu diga que nem me lembro e em outubro te redescubro. talvez em novembro peça eu ao tempo que ressuscite o nosso eterno dezembro. talvez em janeiro, seja dezembro o ano inteiro... Comments: Quarta-feira, Janeiro 06, 2010
para estar contigo, privo-me da luz do dia abandono o melhor abrigo - isso não me angustia! - para estar contigo, assino contrato, aceito fazer o papel de mero amigo do peito. remeto às favas, as claras e puras águas do ganges que alimentara um grande amor-perfeito ao zero, o bolero mais terno - e a medida desmedida do eterno - a zero, o eco, o cerne e o abdome desta minha carne que tanto deseja. sem mágoas, serei apenas um nome: conversa fiada afiando afeto que não beija. (nunca mais, a minha língua nua no céu da tua tatuagem nunca mais, a linhagem da tua nuca em minha cara- metade) quero tanto estar por perto que a mim pouco importa se o que mata minha sede é o deserto. posted by MARCOS CAIADO at 9:25 PMComments: Sexta-feira, Janeiro 01, 2010
te amo além do que devo do que atrevo ou posso. sonho e pesadelo: te amo em paradoxo. te amo e te não amo enquanto engano o amor que sinto (highway & labirinto): - te amo... e te minto! Comments: Quinta-feira, Dezembro 31, 2009
você roubou os meus salvo-condutos, os meus lábios sujos e minha ausência de parafusos. roubou-me inumeráveis dúzias de preciosos 50 minutos. abraços dementes, idades, idéias, eus confusos. você roubou a arquitetura do meu educandário. a margarida da praça, a praça, e o relógio do rosário. relegou meu abecedário ao molho. furou cada um dos meus quase cem olhos: - você me deixou Comments: Segunda-feira, Dezembro 28, 2009
era o fim do fio da linha. era enfim, o mais dolorido espinho ungido pelas mãos de um anjo ruim: a vida sozinha outra vez. a amargura do inverno e seus indeléveis reveses semeando silêncios. salmoura de desertos sobre tão ternos afetos (o inverso de deus em uma lua doente). era a madrugada a alinhavar, de novo, o sempre agosto. e o vento maldito da saudade ruminando sombras Comments: Quarta-feira, Dezembro 23, 2009
saudade do nosso ideograma saudade da nossa história e da felicidade de quem é amado e ama. saudade do adesivo fosforescente do pato grudado na porta branca do nosso quarto. saudades dos teus beijos, dos teus becos, dos teus braços, do hábito do teu hálito e da lua na tua tatuagem. - deus, é saudade pra horizonte e meio! saudade estribo, saudade barrigueira, rédea, pelego, cabresto e arreio. saudade pra burro. saudade sem freio. água branda de correnteza e lambari saudade parente transparente pra lá e praquí. saudade imensa. dessas que não pára: ganha praça, cidade, rodoviária e não pensa. só viaja. saudade passarinho sem ninho saudade borboleta bêbada - nunca saudade naja! - e nem adianta fechar cancela ou querer sair da frente. a saudade que atropela sabe sempre onde mora a gente. Comments: Sábado, Dezembro 19, 2009
pegadas nessa areia branca onde traço algum adianta onde tudo o que se escreve tão breve apaga o vento nessa areia branca encontre eu o meu assento. Comments: Terça-feira, Dezembro 08, 2009
este amor que era tão sincero e tão febril chega ao ponto final sem etcétera e sem refil. por isso, aproveitando o ensejo, ao invés de um beijo te mando... à puta que pariu! Comments: dorme a casa dorme a crase dorme a asa da borboleta. numa metamorfose tão exata, dorme a letra ilegível. dorme a arroba e a rota, o doze e a dúzia, dorme o artigo indefinido. dorme a água do aquário, dorme o vaso sanitário, e o vocabulário indizível. dorme o fóssil, pra lá de antigo, o agora e o minuto além. dorme aquiles, o mito, e aqueles que muitos chamam ninguém. dorme alice e o lustre, a tinta e a paleta neste verso dormidouro. dorme o infinito sem conceito - um dormir tão perfeito que parece até poesia! - dorme a canção, dorme a liturgia dorme a cor e a alegoria. dorme aquela velha alegria que triste se apega e do paradoxo não larga. dorme tudo: desde o raso até o fundo. como um defunto dorme o lodo na calçada, a vaca atolada, o outro lado da rua... dorme a flor dilacerada e, mesmo o medo, dorme tranqüilo. dorme isto, essa e aquilo: toda grama e centímetro a libra, o zêlo e o gemido desmedido. dorme o esquilo na paisagem americana e a lua no céu de araraquara. dorme o vento, o assentamento e a arara o sono dos justos, dormem marte e o deserto do saara. apenas eu insisto diuturnamente acordado visto ser impossível dormir sem você ao meu lado. Comments: Sábado, Dezembro 05, 2009
goiânia (1) peguei um taxi na fama e segui pro alto da glória. goiânia (2) chorei no bairro feliz. depois, vi a vida pulsar no morro do além... Comments: Segunda-feira, Novembro 23, 2009
e ao final da viagem descobriremos que a primavera fora apenas uma miragem E que, na luz que reverbera, até mesmo a viagem jamais houvera. Comments: Domingo, Novembro 15, 2009
canção de exílio - para ledusha vontade de você no posto nove papo pro ar lendo o sol e jornal do brasil vontade de chupar chica-bom com beijo papo-de-anjo ao som do gilberto gil um trotoir pela ciclovia da poesia enquanto a tarde (na clandestinidade) nocauteia o dia. vontade do sotaque carioquês: frango xadrez- chinês na nossa senhora da da paz (andar pela praia até o leblom) vontade de te tocar mais e mar. e outra vez. o carnaval passou a vida só cantou o samba que a saudade fez Comments: Quarta-feira, Novembro 04, 2009
em tudo que vejo, te vejo. na muriçoca zuando sobre o azulejo da copa, no lampejo da lua e sua magia ignota. estarás até quando num beijo de novela, na ponta do novelo de lã amarela, ou no cotovelo da bela adormecida? em tudo que olho te colho a esmo (sem rasura e sem saída): na decida da ladeira do pelourinho, na pedra no meio do caminho e até mesmo numa epístola do auto da compadecida. como um quixote que resiste à sorte de ver no moinho somente um moinho, em tudo que miro apuro de ti um pouquinho. Comments: Segunda-feira, Outubro 26, 2009
Comments: Domingo, Outubro 11, 2009
se eu penso em você ao meio-dia, um segundo depois são onze e vinte da noite. tudo escurece: o mote, o norte, os montes e a luz do poste. morre o vaga-lume. some o horizonte. quando penso em você, independentemente da hora, o relógio agoniza, a lua suicida e a poesia adoece. só a tristeza roça além do que não pode... quando penso em você. quando penso em você, a literatura se fode e,quase, vira zero: zero vírgula, este verso que não morde. Comments: se te convido aos beijos mais lambidos, aos mais ardentes amassos, tu me recitas marcos. se te falo das loucuras da vida em nome de uma poderosa paixão, tu arregalas os olhos, e me vens com joão. se fomento arranha-céus de frases bonitas, dizendo que findaram as tuas buscas, tu ris, e me calas com lucas. se proponho dar açúcar aos mais eróticos sonhos teus, tu me brindas com um versículo de mateus. vou parar ra-pi-di-nho com isto pois, vá que eu abra os braços, e tu me pegues para... cristo! Comments: Sábado, Outubro 03, 2009
por onde andará bete? estará em nova iorque tomando remédios para insônia? ou seguindo os passos de darwin pelas geleiras da patagônia? bete nunca mais ligou. por onde andará? bete está rasgando um ecstasy pelos becos da cidade de goiás. bete está no caminho de santiago atrás de um anjo qualquer que fugiu dos meus quintais... bete nunca mais ligou. bete nunca mais. por onde andará bete? além de aqui, nos corredores desta solidão que me rói? bete está no rio, mais precisamente, no recreio dos bandeirantes, ouvindo um rock do hanói hanói ... bete nunca mais ligou. bete nunca. por onde andará bete? estará numa sala de bate-papo, comendo alguém via internet? ou lavando o chão de uma kitinete no centro de berlim? bete, bete, bete... enquanto me embriago desta saudade diet e fico a compor versos assim. Comments: Segunda-feira, Setembro 21, 2009
viva o orixá, viva o boi-bumbá, viva são cosme e damião viva o milagre presente na eletricidade, na ciência e no aperto de mão viva a diversidade, o inconsciente coletivo, viva o respeito ao deus vivo de cada religião viva nietzsche, viva a cor do azeviche, viva a relatividade em se olhar o horizonte viva a obra de arte, viva a divindade latente em tudo que faz parte da ilusão universal viva bem, viva também (e muito bem!) o prazer sexual viva o estado laico, viva o eco da pluralidade, viva a universidade e o exercício da constituição viva a tolerância, viva a sabedoria, viva a luz que clareia o dia e dá alma à televisão viva o mundo de um modo misto, viva o amor de jesus cristo e viva a compreensão! Comments: Sexta-feira, Setembro 18, 2009
que eu te ame com a paciência e a destreza de um velho oriental a compor seu origami. que eu te ame pacífico e pleno como o caminhar de um índio ianomâmi. que eu te ame como poeta homem que mais prefere ser pessoa do que sobrenome. Comments: Quarta-feira, Setembro 09, 2009
tudo noite escura e eterna: nada brilha. tudo lanterna sem pilha. ilha deserta longe de afeto e canto. sem onde ou rota. nenhuma prata nenhum pirata nenhum navio aporta. tudo negro e sem ar: mar quebrado em si mesmo. Comments: Terça-feira, Agosto 25, 2009
por fora, trago o sabor da amora; por dentro, uma saudade que devora. por fora, comemoro a vida; por dentro, sou veia cava obstruída. por fora, um banquete sobre a mesa; por dentro, essa dinamite acesa. morreu o cravo, sonhando a margarida. pelo próprio espinho, se fez a rosa, ferida. por fora, a poesia move; por dentro, o verso suicida. Comments: Domingo, Agosto 09, 2009
a minha dor acaba aí, onde começa a sua boca. um beijo seu acende o céu e muda a roupa do destino. eu sem você, triste violino: mesmo calado, desafino. Comments: Sábado, Agosto 01, 2009
Comments: Quarta-feira, Julho 22, 2009
a toda hora a todo instante onde quer que eu esteja: nos correios, em transe ou na roda-gigante me vem de repente o seu semblante. entre um pensamento e outro como uma onda do havaí erguendo-se no meu mar-morto. a toda hora, a todo instante onde quer que eu esteja: em alfa-centauro, no horto ou na igreja você é tudo, tudo que a minha alma deseja. no bar dos artistas na praia dos ingleses na rua da lama ou no alto da glória eis você: o sal da memória. a toda hora a todo instante você pra sempre rimã do meu sempre. até mesmo no espelho, entre a escova e a pasta de dente. Comments: Domingo, Julho 12, 2009
eu te amo música antiga, velha roupa colorida, eu te amo, bem maior que a vida. te amo paralelepípedo inconstitucionalíssimamente te amo igual a tanta gente que mal sabe que ama assim tão diferente. oma et ue ed sárt arp etnerf de dentro pra fora te amo e te reamo de dentro pra frente te amo ausente presente menos aqui e mais adiante te amo olho no olho te amo caolho te amo sem olho eu te amo miopia: lua noiva de dia (astigmatismo) eu te amo budismo, aula de catecismo e muito além do que cismo teamadoro pra sempre! ou de repente só agora ... como quem mente. Comments: Quinta-feira, Julho 09, 2009
Comments: Sábado, Julho 04, 2009
eu estou na u.t.i com a cabeça a premio e cada vez que você vem me visitar, baby, é pra desligar o balão de oxigênio. Comments: Comments: Domingo, Junho 07, 2009
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